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Seca histórica no Danúbio obriga Hungria a desligar sua única usina nuclear

Redação Recifes
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Seca histórica no Danúbio obriga Hungria a desligar sua única usina nuclear

O verão europeu de 2025 ficará marcado não apenas pelas temperaturas recordes que castigaram o continente, mas também pelas consequências que esse calor extremo trouxe para a infraestrutura crítica de países como a Hungria. Pela primeira vez em sua história, o governo húngaro foi forçado a interromper as operações da usina nuclear de Paks, a única do país, depois que o nível das águas do rio Danúbio caiu a patamares nunca antes registrados.

O Danúbio, famoso por cruzar dez países e inspirar valsas e cartões-postais de Budapeste, desempenha um papel muito mais prático do que muitos viajantes imaginam: ele é a fonte de água utilizada para resfriar os reatores da planta de Paks, localizada a cerca de 100 quilômetros ao sul da capital. Com a vazão do rio comprometida por meses consecutivos de seca e pelo aquecimento das próprias águas — que atingiram temperaturas acima do limite seguro para operação —, a usina simplesmente não pôde continuar funcionando sem colocar em risco o ecossistema fluvial e a segurança das comunidades ribeirinhas.

O impacto na matriz energética húngara foi imediato. A usina de Paks responde por cerca de metade de toda a eletricidade gerada no país, o que torna sua paralisação um evento de proporções consideráveis. O governo de Budapeste foi obrigado a recorrer a importações de energia de países vizinhos e a acionar reservas emergenciais, ao mesmo tempo em que enfrentava uma demanda interna elevada justamente por causa do calor — com sistemas de ar-condicionado funcionando no limite em residências, hospitais e hotéis.

O episódio húngaro não é um caso isolado: em diferentes graus, outros países europeus também sentiram os efeitos das secas prolongadas sobre usinas termelétricas e hidrelétricas. Rios como o Reno, na Alemanha, e o Pó, na Itália, registraram níveis críticos que afetaram tanto o transporte fluvial quanto a geração de energia. Para quem planeja visitar a Europa Central, vale prestar atenção aos impactos que esse cenário pode ter sobre passeios de barco no Danúbio e na disponibilidade de serviços locais ao longo do trajeto que cruza Áustria, Eslováquia, Hungria e Sérvia.

Especialistas em energia e clima alertam que episódios como o de Paks tendem a se tornar mais frequentes caso o aquecimento global siga sua trajetória atual. A crise hídrica no coração da Europa é um lembrete de que as mudanças climáticas não afetam apenas paisagens distantes — elas chegam ao centro das cidades, alteram roteiros turísticos e colocam em xeque sistemas essenciais que, por décadas, funcionaram sem grandes sobressaltos.

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Artigo originalmente publicado em www.france24.com
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