Você está no sofá e percebe que seu cachorro está tremendo. A primeira reação de quase todo tutor é pensar que o bichinho está com frio — e pode até estar, dependendo da situação. Mas os tremores em cães têm um leque de causas bem mais amplo do que muita gente imagina, e nem todas são inofensivas. Entender o contexto em que o tremor aparece é o primeiro passo para saber se é hora de agir ou apenas aconchegar seu companheiro com um cobertor.
Entre as causas mais comuns e menos preocupantes estão o frio, a excitação e o medo. Raças de pequeno porte ou de pelagem curta, como chihuahuas e pinschers, são especialmente sensíveis a temperaturas baixas e podem tremer com facilidade em dias frios ou em ambientes com ar-condicionado. Já o tremor de excitação — aquele que acontece quando o tutor chega em casa ou na hora da comida — é apenas uma resposta emocional intensa e passa rapidamente. O medo, por sua vez, provoca tremores muitas vezes acompanhados de outros sinais: orelhas abaixadas, cauda entre as pernas e tentativa de se esconder. Situações como fogos de artifício, tempestades ou visitas ao veterinário costumam desencadear esse tipo de reação.
Mas o tremor também pode ser o sinal de que algo mais sério está acontecendo no organismo do animal. Dores musculares ou articulares, especialmente em cães mais velhos com artrite, podem se manifestar como tremores localizados nas patas ou no corpo todo. Intoxicações por plantas tóxicas, medicamentos ou alimentos como chocolate e uva também causam tremores intensos, frequentemente acompanhados de vômito, salivação excessiva e desorientação. Doenças neurológicas, hipoglicemia (queda de açúcar no sangue) e distúrbios hormonais como a síndrome de Addison são outras possibilidades que exigem diagnóstico veterinário.
A chave para distinguir um tremor banal de um sinal de emergência está em observar os detalhes. Tremores que surgem de repente, são intensos, não param mesmo em ambiente aquecido e confortável, ou vêm acompanhados de outros sintomas — como perda de consciência, dificuldade para caminhar, vômitos ou fezes com sangue — pedem atenção imediata. Nesse caso, leve seu pet ao veterinário o quanto antes, sem tentar medicar por conta própria, pois o tratamento errado pode agravar o quadro.
Se o tremor parece situacional e passa rapidamente, você pode ajudar seu cachorro oferecendo aconchego, removendo a fonte de estresse ou aquecendo o ambiente. Para pets com ansiedade crônica, o acompanhamento com um médico-veterinário comportamentalista pode fazer toda a diferença na qualidade de vida do animal — e na sua tranquilidade como tutor. Afinal, quem ama, cuida: e cuidar começa por prestar atenção nos sinais que o seu melhor amigo não consegue colocar em palavras.
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